out 24, 2025

A discussão sobre a participação de comerciais importadoras e exportadoras no Programa OEA – Operador Econômico Autorizado – não é nova, mas tem ganhado relevância crescente na prática empresarial. Essas empresas ocupam uma posição estratégica no comércio exterior brasileiro, especialmente nas operações triangulares e exportações indiretas.

No entanto, quando o assunto é certificação OEA, a história ganha nuances bem específicas. Não se trata de mera formalidade.

 A Receita Federal exige mais do que papéis assinados ou operações interpostas: exige lastro operacional, segurança na cadeia logística e controles internos robustos.   E é aqui que as comerciais costumam esbarrar.

O que dizem as diretrizes oficiais do Programa OEA 

O Programa OEA foi concebido para certificar operadores que efetivamente executam etapas da cadeia internacional de suprimentos, contribuindo para a segurança e a fluidez do comércio exterior.

Entre os requisitos básicos, destacam-se:

Em outras palavras: não basta ter CNPJ ativo, limite para importações deferido no siscomex, operar esporadicamente ou apenas “figurar” nas operações — é necessário demonstrar capacidade real de execução e controle logístico apurado das operações.

Os obstáculos práticos enfrentados pelas comerciais – Tradings

Tradings podem ser OEA?

Comerciais importadoras e exportadoras foram estruturadas, em sua origem, para dar agilidade e eficiência às negociações internacionais. Porém, muitas operam de forma extremamente enxuta, o que cria entraves para o atendimento às exigências do OEA.

Na prática, os principais pontos críticos costumam ser:

Esses fatores, somados, fazem com que a certificação direta para esse perfil de empresa seja possível, mas bastante desafiadora.

Caminhos possíveis e estratégias para viabilizar a certificação 

Apesar dos obstáculos, a porta não está fechada para comerciais. 

A própria diretriz do Programa OEA não as exclui — apenas exige substância operacional. E isso pode ser construído estrategicamente.

Algumas alternativas viáveis incluem:

Em resumo, não é preciso ser um “grande player logístico” para entrar no OEA. É preciso ter coerência entre discurso e prática operacional.

Conclusão — OEA não é impossível para comerciais, mas exige estratégia 

A Receita Federal não impede a certificação de comerciais importadoras e exportadoras, mas exige que essas empresas demonstrem consistência e responsabilidade operacional.

Para muitas delas, isso passa por um redesenho interno e pelo amadurecimento dos processos. Não é um caminho curto, mas é perfeitamente viável — sobretudo quando a adequação é conduzida com planejamento técnico.

Por isso, antes de “dar entrada” no processo de certificação, o ideal é realizar um diagnóstico prévio, identificando lacunas e traçando um plano claro de adequação. A lógica do OEA é meritória: quem cumpre, participa; quem improvisa, tropeça.

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